Albert Einstein já dizia que a criatividade é a inteligência se divertindo. Não é à toa que, quando pensamos nesse conceito, imaginamos algo inédito e diferente. Mas ela não se limita a isso. Em todo desafio ou situação que enfrentamos, precisamos ser criativos para achar uma solução – é por isso que muitos especialistas definem a criatividade como capacidade para resolver problemas. “Sempre recomendo que as pessoas pensem sobre algo que precisa ser resolvido como um labirinto. Há uma entrada para ele, mas muitos caminhos diferentes para a solução. Somente as pessoas que estão dispostas a ‘brincar’ e arriscar bater em um beco sem saída, em vez de tomar o caminho direto e seguro, provavelmente chegarão a uma verdadeira solução criativa”, defende a professora de Psicologia e pesquisadora de Criatividade Beth Hennessey, da Wellesley College, em Massachusetts (EUA).

Sem medo de ser feliz
Também relacionamos as crianças à criatividade porque elas têm algo fundamental para tal capacidade: a espontaneidade, a ousadia, a liberdade para errar. “A criança nasce sem bloqueios, aprende algumas coisas e seu repertório começa a se constituir. Pelo fato de não ter medo, ela se expressa sempre que tem oportunidade, daí muita gente dizer que são mais criativas. Na verdade, elas arriscam-se sem medo”, afirma Humberto Massareto, mestre em Criatividade e Inovação pela Universidade Fernando Pessoa, de Portugal, e autor do livro Potencializando sua Criatividade (DVS Editora).

Você provavelmente já deixou de fazer algo por medo de não dar certo, não é? Por isso costumamos dizer que perdemos nossa capacidade criativa ao longo do tempo. Na verdade, ela está sempre lá, mas se não nos permitimos, é tomada pelo pensamento racional. “A capacidade criativa é algo que pode ser alimentado e crescer ao longo do tempo. Mas o que muitas vezes perdemos à medida que envelhecemos é a motivação para ser criativo, assumir riscos, tentar algo novo, perseverar em meio a dificuldades e falhas. Precisamos de motivação intrínseca para a criatividade. Temos de abordar um problema com o entusiasmo e a convicção de que, se nós trabalharmos muito, podemos ter o talento e as habilidades necessárias para chegar a um produto surpreendente”, diz Beth Hennessey.

Quando falamos que tudo que a criança precisa para desenvolver sua capacidade criativa é um ambiente favorável, fica claro que não estamos nos referindo a brinquedos caros ou passeios elaborados. Muito pelo contrário! Para que uma bateria de plástico se dá para criar uma banda de música com panelas, colheres, cordas e caixas de papelão? Ou, então, porque sempre dar um desenho pronto daquele personagem favorito para colorir se ela pode criar novos seres em uma folha branca? Confira quatro dicas de Luciane Motta, da Casa do Brincar, em São Paulo (SP), para fugir do convencional e estimular a imaginação do seu filho:
1 – No lugar de fantasias prontas, que tal vários cortes coloridos de tecidos com texturas variadas para que a criança invente seu próprio personagem? Um pedaço de pano pode virar uma saia de princesa, um turbante de mago ou a capa de um super-herói.
2 – Para brincar de casinha, ajude-o a recolher pedrinhas, folhas secas e galhos, que podem virar comidas em panelinhas.
3 – Na hora de desenhar, experimente papéis com cores e texturas variadas. Por exemplo, cartões ou cartolinas pretas rendem um ótimo suporte para desenhar com giz de cera e lápis de cor brancos ou amarelos. Também dá para usar lixa (daquelas de construção mesmo, que custam poucos centavos cada folha) e desenhar com giz de lousa.
4 – Transforme a caixa que vem com as compras do supermercado em casinha, avião, barco, berço de boneca, túnel para passar os carrinhos de brinquedo embaixo. São construções que exigem concentração e criatividade. Você ajuda com os cortes e colagens para dar forma ao novo brinquedo e seu filho participa criando e interagindo, pintando e decorando a peça.

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